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''Não, não vou voltar a dizer que estou cansada de tudo o que se relaciona connosco, porque não vamos a lado nenhum assim. Tal como não vamos a lado nenhum de nenhuma outra maneira se assim continuarmos. E sabes porquê? Porque as coisas são sempre á tua maneira, sempre como tu queres e porque tu queres. Vivo em função daquilo que tu achas estar certo, vivo por ti e para ti. Reajo perante as tuas situações, sempre com medo que sei lá, te possa perder de vez. Isso aterroriza-me, assusta-me e não suporto essa ideia. Não a suporto desde o dia em que te conheci. Odeio a sensação de viver com este medo, e com todos os outros. Porque sim, tenho mil e um medos em relação a ti. Tenho medo de te perder, medo de te deixar, medo de te magoar, medo de errar, medo de não ser capaz. Medo de tudo. Não quero viver assim, não quero ser o que esperas em mais momento nenhum. Não quero pensar em ti 24horas quando tu passas completamente ao lado disso, pois sempre soubeste que eu estava aqui, à tua espera. Não quero nada disto para mim, não da maneira como andas a levar as coisas. Tenho a minha vida, os meus. Juro que se pudesse, fugia só para que não te pudesse ver mais, nem sentir que estás aqui. Eu quero que estejas, mas preferia não sentir isto tudo. Porque é demais. Assusto-me a mim própria com tudo o que sinto, e da forma que sinto. Chego mesmo a perguntar-me se isto será normal, não pode ser normal. Eu não tenho de viver por ti. Não tenho de sentir nada disto. Se amar é uma coisa boa… Porque são poucos os momentos em que me sinto bem com isto tudo. Eles existem, admito-o, quando estás comigo nada mais importa, mas isso acontece com intervalos de tempo demasiado longos e eu mais uma vez vou ter de engolir isso. Entende só uma coisa: as coisas não estão bem. Apesar de achares que sim, não estão. Esta necessidade de te ter aqui deve-se ao facto de nunca estares aqui comigo, o meu ‘’querer sempre mais’’ vai continuar, eu sei. Eu sou assim, aceita só isto de mim: eu preciso de alguém que esteja regularmente aqui. Preciso de te sentir aqui, de te tocar e beijar simplesmente quando me apetecer. Preciso de alguém que queira tanto ou mais do que eu, estar comigo. E esse alguém és tu. Acredita, eu faço tudo por ti, tudo e tu sabes disso. Mas estou a implorar-te, só hoje, só um dia, deixa as coisas serem á minha maneira. Fodaçe, é caso para se dizer, FOI SEMPRE TUDO Á TUA MANEIRA, TODOS OS DIAS, ATÉ HOJE. Não digas que não, porque foi. Tive de ser sempre eu a aceitar tudo em ti, porque é que se me amas como dizes amar, não me aceitas como eu sou? Aceitar-me não é chamar-me amor, ou dizeres que sou linda de todas as maneiras, ou mesmo dizeres que sou perfeita. Não, não é nada disso. Ou melhor, não é SÓ isso. Aceitares-me é perguntares-me o que quero, o que preciso e o que me faz feliz. E tu sabes a resposta, o que me faz feliz és tu. Mas a verdade é que tu nunca estás aqui, nunca. Apesar de achares que sim. Não quero ter uma relação virtual. Como queres que mate saudades de uma coisa que simplesmente não passa de letras. Não preciso de letras, preciso de ti. Do teu cheiro do teu toque e do teu olhar. Preciso de coisas que possa sentir que são minhas. Sentir-te é muito mais do que imaginas. Desculpa se não sabes o que isso é, mas eu sei, e mesmo depois de tudo, orgulho-me disso. Sei o que é sentir e precisar, e apesar de isso doer, não quero perder isso por nada. Tal como mais uma vez não vou desistir de nós. Porque isso sim, é demais. Há quem ache que desistir, é para os fracos, mas estão redondamente enganados. Eu não me dou como fraca, nunca dei. Mas independentemente disso, não tenho forças suficientes para desistir. Porque pior do que ter-te em doses homeopáticas, é não te ter. Acredita nisso, eu sei do que falo.’